segunda-feira, 31 de março de 2014

2 - Os Atlantes



A Atlântida aparece neste mapa de 1669,
encontrado em Amsterdã (Holanda),
como uma grande ilha ou continente
entre a África e a América.
Acima, uma representação gráfica
do centro da capital atlante
(autor desconhecido).
Ilustrações: Arquivo Google.

Platão a mencionou
em duas de suas obras,
mas as histórias sobre a Atlântida
já eram conhecidas na Grécia
muito antes do filósofo ter nascido.
Até hoje,
discute-se se a Atlântida realmente existiu,
se seu povo de fato dominava tecnologias avançadas
ou se tudo que se diz sobre ela
é um misto de lendas,

especulações e sensacionalismo.





Em dois de seus famosos "Diálogos" - "Timeu" e "Crítias" - o filósofo grego Platão mencionou uma civilização detentora de conhecimentos avançadíssimos para sua época. Ele disse que tal civilização vivia numa grande ilha - ou "continente" - próxima às Colunas de Hércules. Porém, historiadores respeitáveis confirmam que outro grego, Sólon, que se notabilizou como poeta, político e jurista, ouviu falar dessa civilização numa de suas viagens ao Egito. Platão nasceu em 428 a.C. e faleceu aos 80 anos de idade, em 348 a.C. Sólon nasceu em 638 a.C. e morreu em 558 a.C. Portanto, os gregos já conheciam as histórias sobre aquele povo dois séculos antes da época de Platão. 
Os gregos chamavam a ilha ou continente de "Atlântida", e seus habitantes, "atlantes" ("Atlântida" é uma forma "aportuguesada"). A tradição conta que Sólon ouviu falar deles num encontro que teve com um sacerdote egípcio em Sais, cidade que se situava próxima ao delta do rio Nilo. Alguns autores dizem que a história dos atlantes contada por Platão foi realmente baseada em antigas tradições gregas. Outros afirmam que ele se inspirou em relatos de sua própria época. 
Conta a tradição que os atlantes eram um povo super desenvolvido tecnológica, social e cientificamente. Seus médicos realizavam cirurgias semelhantes às que são realizadas hoje, indolores  e de altíssima precisão. Seus conhecimentos de astronomia iam muito além dos mais avançados conhecimentos de astrônomos de outras nações. Num dado momento, os atlantes tiveram um fim muito trágico: em um dia e uma noite, uma sequência de cataclismos destruiu todo o continente e fez com que todo o povo atlante desaparecesse da face da terra. Desde então, a Atlântida se tornou conhecida como "o Continente Perdido" ou "o Continente Desaparecido". 
Os gregos explicavam este desaparecimento dizendo os atlantes foram punidos pelos deuses. Diziam que, a princípio, os atlantes, grandes dominadores da navegação marítima e detentores de armamentos considerados muito avançados para a época, eram amigos dos demais povos, inclusive dos próprios gregos. Com eles, realizavam comércio, trocas de conhecimentos em geral, etc.  Porém, os gregos contavam também que, quando os atlantes passaram a perceber que seu potencial tecnológico e armamentista era bem superior aos dos outros povos, passaram a praticar guerras contra eles. Por isto, os deuses, insatisfeitos com essa atitude, vieram do céu e destruíram a Atlântida, fazendo-a desaparecer para sempre, juntamente com seu povo. 
A história da Atlântida ficou "esquecida" por muito tempo. Somente já na Idade Media surgiram umas poucas obras literárias a seu respeito.  Depois, mais algumas na Idade Moderna. Entretanto, durante o século XX, mergulhadores encontraram pedaços de estátuas, ruínas de prédios e outros objetos cujos estudos confirmaram que eram da época em que os atlantes supostamente viveram. Essas coisas foram encontradas exatamente em profundezas marítimas localizadas na região descrita por Sólon como o local onde havia o "Continente Perdido": "...além das Colunas de Hércules, onde terminava o mar Mediterrâneo e começava o oceano Atlântico."
Começaram então as especulações. A Atlântida existiu de fato? Existiu mesmo ali uma civilização que dominava ciências e tecnologias muito evoluídas em relação às de outros povos, ou até mesmo em relação às ciências e tecnologias que conhecemos atualmente? Coincidência ou não, especialistas em geografia confirmam que existem evidências de que ali ali existiu uma grande ilha destruída por um cataclismo. Alguns autores de diversos livros sugerem que os "deuses" que teriam castigado os atlantes fazendo-os desaparecer seriam naves aeronaves trazidas à terra por seres de um outro planeta que destruíram a ilha com bombardeios. 
Há também os que afirmam ou pelo menos supõem que os atlantes deixaram descendentes. Os maias, por exemplo, estariam entre os povos com maiores possibilidades de serem alguns desses descendentes. Arqueólogos encontraram nas ruínas dos templos dos maias, na península do Yucatán, no México, inscrições que contavam a história de seus ancestrais, descrevendo-os como um povo que vivia numa ilha que desapareceu. Hoje sabemos que os maias e outros povos americanos pré colombianos - astecas, incas, etc., - dominavam altíssimos conhecimentos de arquitetura, o que pode ser constatado através das enormes pirâmides e dos templos que eles construíram, cujos restos ainda existem em bom estado de conservação se consideramos que foram construídos entre os anos 1000 a.C. e 900 d.C. (depois de Cristo). Ou seja, são construções com mais de 1.100 anos de existência. 
Palenque,
uma das muitas cidades dos Maias no Yucatán.
Embora sejam ruínas, 
podemos considerá-las muito bem conservadas,
considerando que foi construídahá mais de 1.100 anos.
Além disto,não é preciso ser um arquiteto
para perceber que essas construções
foram resultantes
de alto conhecimento de arquitetura para a época.



Coincidências? Talvez! Mas quem pode afirmar isto? Não seria possível existir, mesmo na nossa cultura, alguma influência da cultura atlante sem que sequer imaginemos isto?
Ao que me parece, as dúvidas sobre verdades e lendas sobre o Continente Desaparecido ainda permanecerão por muitos anos. Talvez a certeza de que ele tenha existido ou não nunca venha. 




Fontes:

  • "Atlântida" e "Os Maias" - Wikipedia
  • "Platão" (coleção "Os Pensadores" )- editora Nova Cultural - São Paulo, SP;
  • "Atlântida, o Enigma dos Deuses", de Curtis Masil - Ediouro - Rio de Janeiro, SP.
  • "O Livro do Misterioso Desconhecido", de Robert Charroux - editora Difel - Rio de Janeiro, RJ.

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